28.11.08

A majestade

| Chamuscado por Laritz |

Eu era uma pirralha. O Queen iria tocar em São Paulo. O primeiro grande show de rock no Brasil. O que fiz? Organizei uma excursão da escola. Arrecadei dinheiro, comprei os convites, aluguei o ônibus, aliciei alguns pais como acompanhantes (incluindo os meus), caso contrário não nos deixariam entrar no estádio. E lá fomos nós, as crianças, para o maior espetáculo do resto de nossas vidas. No meu caso, o primeiro de muitos. Morumbi lotado. Freddie Mercury inspirado. Roger Taylor gatíssimo. Brian May e seus maravilhosos solos. John Deacon, camisa do São Paulo e baixo correto. Músicas que marcariam minha vida para sempre, cenas que jamais sairiam da minha mente, por mais que vibrasse com outras bandas inesquecíveis depois. Eu era apenas uma menininha na frente da majestade, cantando com emoção 'We will rock you', 'Love of my life', 'Bohemian Rhapsody', 'We are the champions'. Uma formiguinha que mal respirava, de tanta comoção, embaralhada em meio a absurdas 250 mil pessoas. Ali, descobri o que a música significaria em minha vida. Ali, enxerguei o valor da liberdade de expressão. Ali, aprendi um pouco a ser gente.

Depois daquela noite fantástica, em que a banda foi recebida com milhares de isqueiros piscando em ritmo de rock, o Queen se tornou parte integrante de minha vida. Quase furei minha coleção de discos de vinil da banda em momentos de alegria e de fossa (existe música melhor para chorar do que 'Love of my life'?). Alguns anos depois, a triste notícia: Freddie Mercury havia virado purpurina. Um dos primeiros grandes artistas pop ceifados pela dona aids. Levou sua pose de rainha para cantar lá no céu. Chorei muito. O luto só não foi maior por conta do belíssimo tributo que a banda organizou no estádio de Wembley. E hoje, depois de tanto tempo, o Queen voltou ao Brasil, com Paul Rodgers nos vocais. Considerei uma bela homenagem e confesso que morri de vontade de assistir. Porém, preferi preservar na memória aquela noite de sonho no Morumbi. Não adianta: Freddie Mercury ainda é e sempre será a grande majestade do Queen.



Queen no Morumbi: 'Love of my life'

3 comentários:

Leonardo disse...

Olha, eu vou te dizer. Ressucitar o Queen, sem Freddie Mercury, é de uma brincadeira de mau gosto, sem noção. Fizeram um catado e resolveram sair em turnê.

Anônimo disse...

Me arrepiei ao ver o vídeo...

Gabs

Pezzolo disse...

nossa, eu amo queen tbm... dificíl dizer qual música tem mais a ver comigo, se é bohemina rapysody, I want to break free, who wants to live forever... entre tantas... amo , amo! pensei em ir no show, mas tbm achei estranho ir ver queen sem freddie...

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