26.1.09

Pesadelo em alto mar

| Chamuscado por Laritz |



Quem me conhece sabe que adoro navegar! A vida em alto mar é digna de rainha: sol, piscina, risadas, comidinhas e bebidinhas maravilhosas, diversão, relax, pessoas elegantes, amigos, paqueras, cassino, boate... Sem contar os deliciosos passeios em terra firme. A única - e difícil - preocupação é escolher o modelito para cada noite. No entanto, de uns tempos para cá tenho lido e ouvido histórias cabulosas de badernas a bordo. Desde a morte daquela estudante no cruzeiro universitário, muita gente me pergunta, assustada, se o clima é mesmo de bagunça. Para os curiosos de plantão, respondo: não, não é!

Já estive em quatro navios diferentes, sendo dois com open bar. E nunca presenciei nada minimamente parecido com as imagens divulgadas pelo Fantástico de ontem. Pelo contrário: o clima sempre foi de muita alegria, animação e respeito. É claro que sempre existe gente de pilequinho, gente que dança de maneira engraçada, gente que faz piada, gente meio inconveniente - mas pessoas assim estão em todos os lugares, não apenas em cruzeiros. No entanto, nem mesmo nas duas festas de reveillon havia seguranças contendo os passageiros, como nas imagens divulgadas ontem. Eu fiquei estarrecida!

Na viagem mais recente, ouvi narrativas de muita bagunça em cruzeiros universitários e carnavalescos. Uma moça comentou que no carnaval o navio fedia a vômito. Pior ainda: rapazes ficavam no deck acima da piscina urinando em quem passava por baixo. Também escutei relatos de malas atiradas ao mar, de guerras de comida no restaurante e de bêbados desmaiados nos corredores. E o mais engraçado: ela, que no reveillon estava acompanhada da família, garantiu que preferia mil vezes a baderna do carnaval.

Alguns tripulantes também comentaram que o cruzeiro seguinte seria universitário e que eles já estavam estressados por antecedência, pois teriam de lidar com um bando de bêbados e vândalos. Então, como mãe, eu pergunto: será que essa molecada aprende em casa a destruir o patrimônio alheio? E, como contribuinte, eu questiono: onde está a Polícia Federal, que permite o embarque de jovens portando tantas drogas? E vou além: se o comandante é autoridade máxima em alto mar e pode prender quem desrespeita a lei a bordo, por que no cruzeiro mostrado pelo Fantástico ninguém foi detido?

Será que esse bando de filhinhos de papais vai acabar estragando o tão promissor setor de cruzeiros marítimos no Brasil? Ou será que as companhias marítimas vão implementar uma política mais rígida para a comercialização de seus roteiros? Já existem empresas que simplesmente se negam a organizar cruzeiros universitários ou mesmo a vender pacotes para grupos de jovens. É uma pena que a falta de noção de uma pequena fatia da sociedade traga prejuízos à imagem de uma viagem que tem tudo para ser fabulosa.

Meu conselho de marinheira para quem quer experimentar as delícias e mordomias de um paraíso em alto mar é simplesmente fugir dos cruzeiros universitários, de carnaval, de balada. Para isso, basta verificar as opções de navios antes de fechar negócio, pois 95% dos roteiros são perfeitos para pessoas normais. A menos que se queira participar de um pesadelo de álcool, drogas, vandalismo e muita gente sem noção...

1 comentários:

Leonardo disse...

Ontem, eu vi essa reportagem no fantástico sobre essa onda de vandalismo e mortes em cruzeiros.

Basicamente. Esses cruzeiros universitários, só tem molecada, portanto, maior propensão a desordem. Resumindo, zueira, encrenca.

Uma coisa que me chamou a atenção, é que para ser atendido no posto médico, ambulatório do navio, vc tinha que pagar 260 reais. Cacete, vai ser caro lá na casa do chapéu.

Pô, vc paga uma nota pra ir num cruzeiro e tem que pagar pra ser atendido.

Quanto as medidas necessárias, as empresas são as maiores responsáveis. Elas que precisam tomar medidas enérgicas pra conter essas zonas que acontecem em cruzeiros universitários.

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