7.3.09

O outro lado

| Chamuscado por Laritz |

Mais uma vez, a Imprensa parece ter guardado na gaveta o conceito básico do jornalismo de apurar sempre os dois lados da notícia. Nos últimos dias, muito tem se falado sobre o menino Sean Goldman, nascido nos Estados Unidos, que teria sido sequestrado pela própria mãe, Bruna Bianchi, e trazido ao Brasil sem a concordância do pai biológico, David Goldman. A mulher constituiu nova família, mas morreu no parto do segundo filho, e desde então a criança vive com o padrasto, o advogado João Paulo Lins e Silva.

Depois da morte prematura da ex-mulher, o pai biológico entrou na justiça pedindo a guarda e a extradição do menino para os Estados Unidos. Criou um site bilingue para divulgar a história, no qual, curiosamente, solicita ajuda financeira para a demanda e chega a vender canecas com a imagem do filho estampada. Demonstrando tristeza e clamando por justiça, ele conseguiu o apoio de Hillary Clinton e até do presidente Barack Obama, transformando o assunto em complicada disputa diplomática entre os dois países.

No entanto, até agora não havia sido divulgada a outra versão dos fatos, pois a questão corre em segredo de justiça, como acontece nos casos envolvendo guarda de menores no Brasil. Depois de tanto alarde na Imprensa, João Paulo Lins e Silva quebrou o silêncio e enviou uma emocionada carta ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, contando sua versão dos fatos, acusando o pai biológico de interesseiro e afirmando que a situação não é exatamente o conto de fadas alardeado pela Imprensa.

Entre outros fatos, ele alega na carta que o americano era modelo quando conheceu a brasileira, não trabalhava e foi sustentado pela mulher durante a relação, marcada por brigas e falta de carinho. Segundo o padrasto, depois que ela voltou para o Brasil, o pai nunca contribuiu financeiramente nem visitou o menino, mesmo quando esteve no país para se encontrar com advogados. Chega a acusá-lo de falsificar a assinatura da mãe em cheques e de somente estar interessado na herança recebida pela criança. David Goldman, por sua vez, garante que tentou contato, mas a família não atendia suas ligações (a cobrar).

Difícil julgar quem diz a verdade, porém é imperativo analisar friamente as diferentes versões do caso. Eu pensei que a Imprensa tivesse aprendido a lição com o episódio da Escola de Base, que destruiu a vida de pessoas inocentes, acusadas falsamente de assédio sexual. Mas, ao ler a carta do padrasto, assustei-me com a parcialidade do jornalismo. Espero, do fundo do coração, que a verdade e a justiça prevaleçam.

11 comentários:

Leonardo disse...

Concordo com voce Lara, é duro saber quem é o mentiroso, ou quem está faltando com a verdade.

O pior disso tudo, é a criança que fica no meio dessa disputa.

Quanto a parcialidade da imprensa, não chega a ser nenhuma novidade.

Mosana disse...

ontem no fantástico passou isso.. falaram que o menino passou por avaliação psicológica.. e o pai biológico também o fará.. é realmente duro saber quem diz a verdade.. e o que há de verdade em tudo dito.. só não entendi porque diabos o pai biológico só apareceu agora.. antes ele não sentia falta do filho??????
e como essa mulher morreu no parto? ainda tem gente que morre disso? que coisa mais triste!
espero sinceramente que algum jurista consiga ver através das desavenças.. e que o resultado final seja realmente o melhor para o menino.
kisses darling

Mosana disse...

agora lendo mais sobre o caso.. achei a carta de resposta da advogada do David Goldman
http://bringseanhome.org/apy_port.html
depois vc le
kisses

Elisana disse...

Oi!
Eu tbm li a carta -resposta da advogada do David, e recomendo que vc faça o mesmo, pq ela rebate com PROVAS as mentiras que o padrasto falou na "emocionada carta". Eu venho acompnahdndo esse caso há um tempo, e espero que a justiça seja feita. O pai foi privado de ver o filho por tanto tempo! E o fato de a mãe ter morrido no parto, sem ter a chance nem de ver a filha, fala por si só.

Laritz disse...

Prezada Elisana, não conheço você. Tentei responder em seu blog, mas o mesmo só pode ser acessado mediante convite. Então, espero que você volte para ler a resposta aqui.

Tive a impressão de que você não compreendeu meu post. O que eu defendo aqui - como jornalista que sou - é apenas necessidade de a Imprensa ouvir sempre os dois lados da notícia.

De fato, a carta do padrasto é emocionante. Isso ninguém pode negar. Antes de sua visita, eu havia lido a carta da advogada do pai biológico, que achei fria e cheia de erros gramaticais. Quais provas a carta apresenta?

Eu não sou juíza e não vi nenhuma prova documental. Por isso mesmo, defendi apenas a necessidade da oitiva de todas as partes para que seja determinado o melhor para a criança, como deixei claro na última linha do meu post.

E, sinceramente, não entendi o que você quis dizer com "o fato de a mãe ter morrido no parto, sem ter a chance nem de ver a filha, fala por si só". Soou como uma macabra acusação. Você poderia explicar o que quis dizer com isso?

Obrigada pela visita!

Pezzolo disse...

elisana... eu mereço!

Pezzolo disse...

elisana, pq você não posta essas observações no próprio blog, que aliás não tem post NENHUM?

Mosana disse...

boa pergunta Lara.. como assim fala por si só? ela se matou na mesa de parto? +_+ fez pacto que levassem a alma dela e deixassem a da menina? se perdeu no caminho da luz, ofereceu 3 pulinhos a sao longuinho mas o cara não a ouviu e ela foi pro beleléu assim mermo?
não entendi porque o fato fala por si.. ó e agora quem poderá nos ajudar?

Claudia disse...

Vou buscar o lado norte americano da coisa, no original em ingles, e trago aqui traduzido pra voces.

keke disse...

amiga, o que eu não vi ainda é com quem que o garoto quer ficar. alguém sabe?

Gabs disse...

Então Keke, diz a lenda que o menino quer ficar com o padrasto...
Euzinha, que li alguma coisa sobre o assunto, que sou mãe e fico sempre pensando no melhor pros meus filhotes, imagino que o melhor seria ficar com o padrasto mesmo, até pq, ele mora junto com os pais dela, ele ficaria junto do pai que ele conhece e dos avós, num país que ele conhece, falando uma língua que ele domina, enfim, por tudo o que eu vi até agora, já tenho a minha opinião.
E também aguardo a resposta da Elisana a respeito da morte da mãe no parto.

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