18.6.09

Palmirinha

| Chamuscado por Laritz |

Eu, que já vinha pensando em queimar meu diploma após acompanhar a transformação do jornalismo numa colcha de retalhos de assuntos irrelevantes, encontrei uma saída para meus questionamentos existenciais. Basta seguir as recomendações do ministro Gilmar Mendes e virar cozinheira. Primeiro, deve-se substituir anos de estudo por uma porção de cebola bem picadinha. Cortar a notícia em fatias, fritar entrevistados, tirar o caldo da gramática e mexer sem tato. Está pronta a sopa de letrinhas do novo jornalismo, agora que o Supremo Tribunal Federal decidiu que o diploma não é obrigatório para o exercício da profissão.

Afinal, o excelentíssimo Gilmar Mendes pensa que "a formação em jornalismo é importante para o preparo técnico dos profissionais e deve continuar nos moldes de cursos como o de culinária, moda ou corte e costura, nos quais o diploma não é requisito básico para o exercício da profissão". E vai além: "A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade". Realmente. Que o digam os antigos proprietários da Escola de Base, que tiveram suas vidas arruinadas pela Imprensa após falsa de denúncia de pedofilia.

Assim como eu, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, considera a decisão um "prejuízo imenso e histórico" para a categoria. "Aparentemente, não precisa de nenhum critério. Inclusive pessoas sem formação escolar, analfabetas, podem obter o registro de jornalista. Não sei se o STF tomou pé do nível de rebaixamento em que coloca o jornalismo no Brasil neste momento".

Vou comprar uma caçarola. E nem é para organizar um panelaço em protesto. É para fritar o diploma.

4 comentários:

Mosana disse...

fiquei chocada com isso!
lembrei de mil novecentos e guaraná com rolha no brasil quando os prf de ed fisica nao precisavam de diploma... mas isso mudou e agora precisam.. não entendi isso de abolirem os diplomas do jornalistas.. fica mais claro que informação e formação de qualidade não são objetivos no nosso país.
kisses

Leonardo disse...

Então quer dizer que perdi quatro anos na faculdade, pra nada !

É definitivamente, Jornalismo e eu estamos em caminhos opostos.

Eduardo Reina disse...

Jornalismo agri-doce.

virginia disse...

Sou jornalista-não diplomada, mas registrada na CP como tal desde os 16 ou 17 anos, antes da exigência do diploma, portanto. Cresci dentro de um jornal, na verdadeira cozinha (como chamam) de uma publicação. Mas sou a favor da exigência do diploma desde o início e o defendi de público algumas vezes.
Só não aplaudo as ditas faculdades que se disseminaram por todos os cantos e formam incautos sem qualquer preparo, intelectual ou prático, para a atividade. Assim, é facil perceber como a questão é explosiva. No que dará, não sei, mas penso que não será nada melhor do que existe hoje.

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