21.8.09

Maluco beleza

| Chamuscado por Laritz |



Há 20 anos, o maluco beleza foi fazer plunct-plact-zum em outra galáxia! Toca Raul!

20.8.09

Céu de brigadeiro

| Chamuscado por Laritz |

O céu está cor de ônix e manda baforadas furiosas de vento. Logo, as nuvens começam a cuspir rajadas de água. E eu estou leve como uma pluma, flutuando na brisa em meio ao paliteiro de arranha-céus.

20.8.09

O dom de escrever

| Chamuscado por Laritz |

Mais que uma arte, escrever é um dom. Não é fácil transpor para o papel ideias e inspirações, muito menos torná-las compreensíveis para os leitores. Aprendemos uma Língua Portuguesa precária nas escolas, com pouca ênfase à redação e à compreensão de textos. Não se ensina a ler com a alma, não se ensina a amar as palavras, não se ensina a traduzir pensamentos. E o resultado é que a grande maioria mal consegue fazer o "ó" com o fundo do copo, quiçá produzir um parágrafo com começo, meio e fim.

Mesmo com anos de estudo, muita gente encontra dificuldade para escrever um simples bilhete, quanto mais um livro. Há pessoas com lindas inspirações, mas que não conseguem transpor os sentimentos para o texto. Para mim, escrever sempre foi algo que brotou das entranhas. Mal fui alfabetizada e já rabiscava meus escritos por aí. Com dez anos, venci um concurso de redação do principal jornal aqui da província e tive algumas poesias publicadas em outro. O papel sempre foi meu melhor amigo. Era (e é) ele que absorvia todos os meus pensamentos, sonhos, devaneios, alegrias, tristezas, angústias, mágoas, desejos.

Minhas gavetas sempre foram entulhadas de anotações, de frases, de poemas, de textos inteiros, de fragmentos, de calores, de palavras. E ainda continuam assim, repletas de papéis, pois, embora grande parte da minha produção esteja armazenada no computador, não vivo sem um caderninho na mão para anotar coisas que a princípio parecem sem nexo, mas que depois viram matéria-prima para meus escritos.

Apesar de escrever desde criancinha, relutei muito em tornar pública minha produção. Meu círculo me incentivava, mas eu pensava que aquilo era só meu e deveria continuar assim. Até que, num momento em que buscava revoluções profundas para minha vida, decidi me matricular numa oficina literária. Eu ansiava, basicamente, por liberdade. Queria soltar as amarras que me prendiam a pessoas e situações pesadas. E encontrei naquele grupo de escritores uma acolhida que me fez sair do casulo e virar borboleta.

Mergulhei em arquétipos, busquei no meu eu mais profundo minhas fomes, tranquei a timidez dentro do armário, visitei o abismo, virei minha vida de ponta-cabeça e, pela primeira vez, li em alto e bom som um texto meu - um que falava justamente sobre meu outro eu. A plateia arregalou os olhos, como que espantada com o que brotava de dentro daquela mulher de cabelos vermelhos e cara de burguesa. No final, aplausos me fizeram corar. Porém, me incentivaram a seguir em frente, tão em frente que pouco tempo depois eu venci o Mapa Cultural Paulista. E com um texto criado para uma oficina literária.

Por ter consciência do incentivo que uma boa oficina literária pode fornecer aos escritores de todas as idades e correntes, devorei com gosto a edição do caderno Mais, da Folha de S. Paulo de domingo. Há dicas valiosas para aqueles que desejam se aventurar pela literatura. A principal é ler. Ler muito, ler sempre, ler o que cair à mão, ler até bula de remédio. Ler sem medo, ler sem vergonha, ler com prazer.

Algumas sugestões são de cunho mais acadêmico; outras, mais voltadas à alma. O crítico Luís Augusto Fischer sentencia: "Leia como se fosse o psicanalista que ouve um paciente". O professor Luiz Antonio de Assis Brasil indica (e eu assino embaixo): "Use em abundância o ponto final". No entanto, foi o ótimo Marcelino Freire que deu os toques mais parecidos com o que sinto, vivo e penso. Ele recomenda:

PARA LER
1. Quanto mais um livro fizer mal, melhor.
2. Confortável precisa ser a cama, não a literatura.
3. Evitar lista dos mais vendidos.
4. Livro não é para ser entendido, é para ser sentido.
5. Desconfiar das dicas que te dão.

PARA ESCREVER
1. Cortar palavras.
2. Não usar gravata na hora de escrever.
3. Ouvir, mesmo que baixinho, a própria voz.
4. Desconfiar daquele texto que sua mãe gostou.
5. Ler e beber muito. E, no mais: viver.


Eu, particularmente, sigo o mestre Caio Fernando Abreu: "Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta."

Escolha palavras, descubra novos significados, pontue, respire, ouça os sons das letras e enfie tudo goela abaixo. E depois vomite frases, poesias, prosas, surrealismos... Enfim, escreva o que sentir! Leia, releia, corte, leia, releia, e aos poucos faça o acabamento. Mas lembre-se: use a alma para lapidar tudo isso.

18.8.09

Olho gordo

| Chamuscado por Laritz |

Mistérios, enigmas: olhos, grandes, gordos. De políticos e suas falsas ladainhas a fim de conquistar nossos votos. De invejosos, com o sonho de usurpar nossos bens. São olhos que deixam rastros de maldade, possuem força malévola, destroem. Aristóteles já se referia a eles como causa de perturbação.

Que fazer para combater o mau olhado, aquele olhar que deita quebranto e langor? Usar meios capazes de defenestrar maus espíritos, de exorcizar invejosos. Seguir ensinamentos dos sábios da Grécia antiga, da velha Roma: valer-se de figas e amuletos, de sal grosso e de plantas como arruda, espada de São Jorge, comigo-ninguém-pode.

Melhor ainda é deixar de lado a superstição e se afastar de pessoas invejosas, seguir em frente com fé e coragem, além de pensamento positivo. Mas nada custa bater na madeira. Na dúvida, bata três vezes.

[Guido Fidelis]

17.8.09

Resumão

| Chamuscado por Laritz |

- O tempo urge.
- Estou lotada até a tampa de trampo.
- Hoje faz um ano que o Jeff virou purpurina.
- Raul Seixas partiu para outra galáxia há 20 anos.
- E lá se vão 40 anos do festival de Woodstock.
- I was born, born to be wild.
- Tem álcool gel em tudo quanto é canto agora.
- O cumprimento a la Melissa Cadore é moda.
- Saudades da firanghi estrangeira Deborinha.
- O fim de semana foi incrivelmente incrível.
- Adoro mudar para melhor os planos.
- Ganhei um upgrade de categoria.
- Botequei com muitos amigos queridos ontem.
- Tem gente que luta contra o que deseja.
- Reinvento a vida todos os dias.
- Um olhar fala mais que mil palavras.
- O mundo gira e a lusitana roda.
- Eu consigo tudo o que quero.
- O vestidinho de sexta à noite arrasou!
- O modelo de bolinhas também fez sucesso.
- Preciso tingir o picumã.
- Pintei as unhas de vermelho-paixão.
- I want you... Show me the way!
- Eu amo gente!
- Falta muito para sexta-feira?

15.8.09

Poema para um sábado de sol

| Chamuscado por Laritz |

Agora escrevo pássaros.
Não os vejo chegar, não escolho,
de repente estão aí,
um bando de palavras
a pousar
uma
por
uma
nos arames da página,
entre chilreios e bicadas, chuva de asas,
e eu sem pão para dar, tão somente
deixo-os vir. Talvez
seja isto uma árvore,

ou quem sabe,
o amor.

[Julio Cortázar]

14.8.09

Coisinhas de Laritz

| Chamuscado por Laritz |

- Estou sumida do blog. A culpa é do Facebook.
- A semana foi corrida. Trabalhei como uma Isaura.
- A novela estava boa esses dias.
- Fiquei com pena do Seu Abel.
- Não encontro álcool gel em canto algum.
- Li alguns poemas belíssimos.
- Continuo indignada com o vampiro brasileiro.
- Conheci pessoalmente a Mosana.
- Ontem minha amiga Cris veio me visitar.
- A Tati me deu um cd ótimo de um grupo do Quebec.
- Hoje é aniversário do querido Alê.
- Minha avó me disse coisas belas.
- A nova Antarctica Sub Zero é gostosa.
- Papai tem livro novo no forno. Está lindo!
- A banda tocou Inbetween Days, do Cure, para mim.
- O fim de semana anterior foi maravilhoso.
- O fim de semana que começa hoje será melhor ainda.
- Eu quero muito um iTouch.
- O que parecia colado na cabeça desgrudou.
- Tem gente que parece girafa.
- Eu não esperei nada, mas aconteceu tudo.
- O dia está lindo, com céu de brigadeiro.
- Vou pro meu Melissa Cadore´s Day.
- Eu amo esmalte vermelho.
- Faz tempo que não vou ao shopping.
- Abaixo a ditadura!
- Teremos panquecas para o jantar.
- Hoje é dia de esbórnia.
- Para tirar as olheiras, use colher gelada.
- Estou bem distraída...
- Desejo um lindo fim de semana para todos!

11.8.09

Agosto

| Chamuscado por Laritz |

"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente um." [Caio Fernando Abreu]

11.8.09

Filosofia do pum

| Chamuscado por Laritz |

Filhote - Mamãe, por que a gente solta pum?

Mamãe filosófica - O pum faz parte da vida...

Filhote - Não, mamãe! Pum, espirro e tosse são vírus!

11.8.09

Ironias da lei

| Chamuscado por Laritz |

Primeira balada após a vigência da lei antifumo: bar do rock. O dono da birosca é fumante, mas estava atento e não deixou ninguém acender cigarro na área coberta. No entanto, nas mesinhas da calçada todo mundo pitava seus cilindros nicotinosos. O detalhe sórdido é que a ditadura proibiu os cinzeiros nos estabelecimentos. Resultado: a sarjeta virou cemitério de bitucas, numa espécie de protesto silencioso. Pior que essa sujeira vai para o bueiro, que vai para o esgoto, que vai para o rio... Quando poderia muito bem estar em cinzeiros, que iriam para os sacos pretos e depois para o lixão. Ironias do vampiro brasileiro.

11.8.09

Old school

| Chamuscado por Laritz |

7.8.09

O beijo perfeito

| Chamuscado por Laritz |

"Toco a tua boca. Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.

Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio.

Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água."

[Julio Cortázar in 'O Jogo da Amarelinha']

7.8.09

Ditadura

| Chamuscado por Laritz |

Não me canso de repetir que o que mais me incomoda na lei antifumo é a proibição das liberdades individuais. Hoje é o cigarro, amanhã é o brigadeiro, o esmalte, a calça jeans, o celular ou qualquer outra coisa que desagrade o vampiro brasileiro. Filhos da ditadura, como eu, sabem que é assim que se começa um regime totalitário: impedindo que os cidadãos exerçam seus direitos, seja lá quais forem.

No caso dessa lei estapafúrdia, há inúmeros agravantes. O principal, penso eu, é estimular o dedo-durismo. Muita gente que posa de bacana vai bancar o alcaguete só para infernizar o vizinho. E delatar o próximo é um ato horroroso, normalmente punido com requintes de crueldade pelos mafiosos e outras facções criminosas. Mas no nosso recanto do nonsense tupiniquim eles acham bonito fazer fofoca.

Alguns aspectos dessa balbúrdia tucana, então, soam como piada mal contada. Você sabia que o comerciante que imprimir a placa da lei antifumo em preto e branco será multado? Só vale o cartaz em vermelho. Afinal, essa deve ser a cor preferida do vampiro brasileiro, pois lembra sangue - o sangue do contribuinte. Mas o mais grave é perceber que no Brasil bandido tem mais liberdade que cidadão honesto. O fumo está liberado nos presídios. Mas só para os presos. Funcionários não. Direitos, só para a escória.

Como disse sabiamente o poeta, vou-me embora pra Pasárgada. Lá, o rei é justo.

7.8.09

Novos tempos

| Chamuscado por Laritz |

Com o cigarro banido da vida noturna, a cantada agora é: vamos fumar lá fora? Ui!

6.8.09

No smoking

| Chamuscado por Laritz |

Começa amanhã a caça às bruxas, digo, aos fumantes. Fumar em público só será permitido em cultos religiosos nos quais a fumaça fizer parte do ritual. Quem vai ser o primeiro a armar uma balada no terreiro?

E eu pergunto: depois dessa proibição estapafúrdia, qual será a próxima arbitrariedade imposta pelo vampiro brasileiro? Até quando vamos aceitar que passem o serrote em nossas liberdades individuais?

6.8.09

Tapa na psicopata

| Chamuscado por Laritz |


Quem gosta de novela sabe como é mágico aquele momento em que a vilã finalmente apanha da mocinha. É uma catarse coletiva. Foi assim nas brigas antológicas entre Maria do Carmo e Nazaré (Senhora do Destino), Maria Clara e Laura (Celebridades) e Raquel Acioli e Maria de Fátima (Vale Tudo - a melhor de todas as cenas é quando a mãe Regina Duarte esbofeteia e rasga o vestido de noiva da filha Glória Pires). Para quem aprecia um bom tapa na psicopata, a noite de hoje promete fortes emoções: Melissa Cadore vai lascar umas merecidas bolachas na Ivone. A surra acontece depois que a perua descobre que a malvada é amante de seu marido e, o que é pior, ainda ganhou jóias caríssimas de presente do traidor. Imperdível!

6.8.09

Ladrão de ar

| Chamuscado por Laritz |

Filhota, toda intelectual, assiste Diários de Motocicleta agarrada com o vovô. Che Guevara sofre um impressionante ataque de asma dentro do navio. A garotinha fica aflita com a cena e pergunta:

- Vovô, o que ele tem?
- Ele está com falta de ar.
- E quem tirou o ar dele?

5.8.09

Poema para a lua de hoje

| Chamuscado por Laritz |

A serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

[Adélia Prado]

5.8.09

Beijo tosco dá multa!

| Chamuscado por Laritz |

Um sul-coreano foi condenado a pagar 3 milhões de wons (1.700 euros) por beijar uma mulher com quem marcou um encontro às cegas e hipnotizou. Aposto que se o sujeito fosse bonito ou tivesse uma boa pegada, a mocinha não chamava a polícia! E meus profundos estudos sobre o tema apontam que ele se enquadra perfeitamente na categoria homem virtual, do meu científico Manual de Homens-Encrenca.

5.8.09

Voodoo lounge

| Chamuscado por Laritz |


A dica é especial para meu amigo Cachorro Cansado, que vive à procura de mandingas para o amor. Como aqui na borda do campo a propaganda é mais avançada que no planalto (tem até cartãozinho plastificado e colorido), talvez o resultado também seja mais eficiente. Ela não é destruidora de lares, mas faz "voodu" e afasta "pertubações". Na próxima excursão a Santandré, aproveite para marcar horário. E ela é chique: sua clínica de benzimentos funciona na Rua das Figueiras! Esse é o verdadeiro voodoo lounge!

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